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Saiba o que é Minimalismo e faça o seu Armário-Capsula

By ReiNasc

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O que é Minimalismo?

Você já reparou como algumas palavras aparecem na mídia e, de repente, viram moda? Quem dava a mínima para glúten e lactose há alguns anos?

Os entusiastas que me perdoem, mas fui criada a leite de saquinho tipo B, além de toneladas de glúten e estou viva, saudável e magra. Minimalismo!!!

Não, eu não estou aqui para dizer que sou contra qualquer um desses modismos, pois geralmente eles tratam de assuntos que fazem parte do nosso processo de evolução.

Mas, o que tem me incomodado há algum tempo, é a forma com que a imprensa brasileira tem se posicionado em relação a todos esses assuntos, principalmente na internet, muitas vezes ignorando o fato de que nossa população é gigantesca e extremamente diversificada.

De um lado, tenho a sensação de que alguns produtores de conteúdo e profissionais que trabalham com propaganda não fazem a menor ideia do que seja a verdadeira classe C.

Do outro lado, essa classe C que recentemente entrou na onda do consumo e agora tem acesso irrestrito a qualquer tipo de informação através da internet, se sente totalmente incompreendida e desiludida quando lê um artigo dizendo que, segundo minimalistas, não é preciso de muito para ser feliz.

Como explicar para uma criatura que, pela primeira vez na vida, está sentindo o prazer de comprar um carro, uma TV de LED ou um smartphone que para ser feliz é preciso abrir mão de coisas materiais?

Tenho certeza que não é usando uma típica família de classe AA como exemplo.

 

Mas o que o tal minimalismo tem a ver com isso?

Minimalismo é a nova palavra da moda, principalmente entre pessoas que já se cansaram do consumismo desenfreado e agora estão prestando um pouco mais de atenção em coisas que o dinheiro não pode comprar, como a satisfação com a vida e a felicidade.

Mas, ser minimalista, não significa viver em um apartamento pequeno com poucos móveis modernos e brancos e não ter televisão.

Também não significa vender todas as roupas, o carro, pedir demissão do emprego, ir morar em alguma cidade com nome exótico no Sudeste Asiático e ter apenas uma mala.

 

Minimalismo é a nova palavra da moda | Imagem: Gdefon

Minimalismo é a nova palavra da moda | Imagem: Gdefon

Minimalismo é muito mais do que um estilo de vida.

É uma ferramenta que pode ajudar a todos aqueles que estiverem dispostos a se livrar dos excessos em favor de se concentrar no que é importante para encontrar a felicidade, realização pessoal e, principalmente, liberdade.

Quando identificamos o que não é necessário, começamos a tomar decisões mais conscientes e isso acaba nos libertando de medos, preocupações, angústias, culpa e das armadilhas do consumo que acabamos construindo em nossas vidas e que nos fazem sentir que estamos presos aos nossos empregos ou a determinados círculos sociais.

Para ser minimalista não existe regra. Não existem 10 passos que farão você se livrar de tudo o que é desnecessário da sua vida. Até porque, cabe a cada um saber o que é importante para si mesmo. Esta mudança está diretamente ligada ao que cada um entende como felicidade.

Por isso, não está errado querer ter um carro confortável, roupas bacanas ou uma bela casa se essas coisas são importantes para você e fazem a sua vida feliz.

O problema está no significado real que essas coisas tem nas nossas vidas e no sacrifício que as vezes fazemos para possuí-las sem perceber o quanto elas arruínam nosso bem-estar, nossos relacionamentos e até mesmo nossa saúde.

Meu pai sempre achou que ter um carro bacana o fazia parecer bem sucedido aos olhos dos clientes que ele atendia.

Por isso, ele trocava de carro todo ano, fazia prestações altíssimas que tiravam seu sono, deixava os filhos estudando em escola pública, parava de pagar o plano de saúde e acabava brigando com a minha mãe todo fim de semana porque não sobrava dinheiro para sair de casa.

Será que a satisfação de ter o carro compensava tudo isso? Não sei, mas infelizmente ele morreu aos 51 anos vítima de um AVC comprovadamente causado por anos de stress e de uma vida completamente cheia de excessos.

Mas, se ainda assim você gostaria de ler algumas dicas para ter um ponto de partida, aí vão três mudanças importantes que fiz na minha vida e que contribuíram para que eu fosse mais feliz no longo prazo:

1. Liquidei todas as dívidas

Eu sempre fui a rainha das prestações e achava que o cheque especial fazia parte do meu salário. Só quando me dei conta do quanto estava pagando de juros e do quanto isso tirava o meu sono eu resolvi tomar uma atitude. Foi difícil, mas depois disso começou a sobrar dinheiro para fazer uma previdência, sair para jantar fora que é uma coisa que eu adoro e nunca podia fazer e viajar duas vezes por ano.

2. Diminuí radicalmente as idas ao shopping

Este era o meu lugar preferido para passar o tempo. Adorava olhar vitrines e receber pilhas de catálogos em casa. Meu coração chegava a acelerar quando eu lia a palavra 50%OFF em uma vitrine. Além de sempre ter parcelas no cartão de crédito por causa disso, com o tempo percebi que 2/3 do que eu comprava eram usados apenas uma vez, quando não ficava esquecido no armário. Resumindo, para que?

3. Abri mão de absolutamente tudo o que não tinha utilidade

Qual é a razão de manter uma coleção de 400 CDs se você só ouve música pelo MP3? Além de acumular poeira e ocupar espaço, não faz sentido ter apego a algo que não tem utilidade nenhuma. Quanto menos coisas inúteis você tem em casa, menos tempo você ou sua faxineira vai passar limpando. Isso pode resultar em uma casa mais limpa ou em mais tempo para você fazer coisas mais interessantes do que limpar a casa.

Vendo assim, parece que foi fácil. Mas, não foi. Esse processo todo demorou cinco anos para acontecer. O mais importante foi que uma coisa levou à outra quase que automaticamente. Depois de me livrar das dívidas não fazia sentido criar novas parcelas para comprar roupas e, depois de parar de comprar, não fazia mais sentido manter o que estava parado sem uso há tanto tempo.

E, depois de perceber que viver dessa forma se tornou natural, eu me senti livre para fazer outras mudanças acontecerem, como pedir demissão para viajar

Gostaria de saber a sua opinião. Você concorda que o minimalismo pode ser um dos caminhos para ter uma vida mais feliz ou acredita que ainda vamos viver algum tempo na sociedade do consumo? Vamos bater um papo nos comentários!

 

Como construir um Armário-Capsula passo a passo

Legal. Agora que já conversamos sobre o que é um armário-cápsula que tal esmiuçarmos o processo para criar um? Neste post eu mostro os 6 passos que usei para criar o meu primeiro guarda-roupa cápsula, o de inverno. Vamos começar?

1. Crie um conceito: Defina seu estilo para a próxima estação.

Pesquise tudo que inspira você e coloque em um só lugar: o Pinterest é um bom amigo nessas horas. Lookbooks, catálogos de marcas que gosta, Instagram, sites de street style também são bons aliados.

Depois de selecionar muitas imagens de inspiração, procure por temas. Visualize ali qual estilo mais tem a ver com você no momento. Escreva uma lista de peças que se repetem nas referências. As cores que mais aparecem. As texturas, as combinações de peças, tendências e truques de estilo.

Traduza isso em adjetivos, não precisa se explicar muito, desde que faça sentido pra você. Por exemplo: urbana, industrial, etérea, romântica, punk, etc.

2. Pense no seu uniforme.

Aquela roupa que você sempre acaba pegando de manhã na hora de se vestir. Ele vai te ajudar a delimitar o número de peças que transitará no seu armário. Por exemplo, no caso de um guarda-roupa de inverno: calça skinny, camiseta, cardigan aberto, casaco por cima e uma ankle boot.

É importante saber o seu uniforme porque serão as peças que terão em maior quantidade no seu armário. Aquelas que você vai usar mais. Por isso é crucial ter mais versatilidade entre elas. Por exemplo, continuando no caso acima: Ter mais opções de calças skinny, camisetas, cardigans, casacos e ankle boots. Esse é o seu uniforme, portanto são as peças que mais terão “saída” no seu dia-a-dia.

Uma boa dica é fazer boards no Pinterest com as inspirações separadas por estações. Ter inspirações para looks de inverno, primavera, verão e outono, separadamente. Assim, na hora de fazer o seu próximo armário-cápsula você já vai ter uma ideia mais concreta do que vai querer vestir na próxima estação. Quais serão as peças-chave, a paleta de cores, etc.

3. O próximo passo é pensar em outras combinações que você quer adotar, além do seu uniforme.

Por exemplo, no caso do inverno: Saia + meia-calça + camisa + tricô + botinha ou calça skinny + camiseta + casaco + slip on oucalça + tricô + cachecol + sapatilha ou saia + meia-calça + scarpin + tricô + casaco. Pegue suas referências no Pinterest e vá “dissecando” os looks.

4. Agora, estime quantas peças você vai precisar por categoria, neste caso:

  • Calça skinny (uniforme) – 5
  • Camiseta (uniforme) – 5
  • Cardigan (uniforme) – 2
  • Casaco (uniforme) – 4
  • Bota (uniforme) – 3
  • Saia – 4
  • Camisa – 2
  • Tricô – 2
  • Cardigan – 2
  • Slip On – 1
  • Sapatilha – 2
  • Scarpin – 2

Lembre-se que esses números são só uma estimativa, na prática um ou outro item pode ser retirado ou adicionado. A questão aqui não são os números e sim, um exercício na busca do seu estilo pessoal. Compreender o que de verdade você precisa e o que está faltando no seu armário, de acordo com o seu estilo de vida e suas combinações preferidas.

A ideia do armário-cápsula não é exata. Conforme formos entendendo nosso estilo, vamos conseguir mensurar mais precisamente o que faz mais sentido estar no nosso armário.

 

5. O próximo passo é encarar o seu armário e separar ali as peças que mais definem o estilo que você trabalhou até aqui.

Retire as peças que não vai usar nessa estação e guarde. Venda ou doe as peças da estação que você não vai usar no seu armário-cápsula. Pense bem, se você não vai usar nesse inverno, por exemplo, imagine se vai querer usar no próximo? Provavelmente não. A ideia aqui é viver com menos e ter um guarda-roupa que faça mais sentido na sua vida.

Na hora da seleção tenha em mente a paleta de cores que você vai querer usar. Não adianta ter aquela saia linda laranja se na sua paleta de cores o laranja não combina. Por isso é tão importante esse exercício. Sabendo exatamente o que tem no seu guarda-roupa – que estilo tem mais a ver com você no momento e que cores o seu armário transita – na hora de comprar algo, você terá muito mais consciência se realmente precisa daquilo ou é só impulso e emoção.

Vamos pegar como exemplo o meu armário-cápsula. Minha paleta de cores para o inverno 2015 transitava entre o preto + branco + cinza + rosa + rosa claro + verde militar.

A ideia é ter mais peças neutras, e poucas em rosa, rosa claro e verde militar. São tonalidades que eu defini através das peças que mais amo no meu guarda-roupa e queria usar e das minhas referências que selecionei no Pinterest. Todas as peças conversam entre si e tive muita versatilidade pra usar todas elas.

 

6. O próximo passo é organizar as peças e verificar o que precisa ser consertado e comprado.

Sim. A ideia aqui é viver com menos, mas depois de todo esse exercício de auto-conhecimento do estilo pessoal, no final das contas, em alguns casos, percebemos que não temos certas peças básicas que vão nos ajudar a compor looks mais facilmente e com menos dor de cabeça.

No meu caso, por exemplo, tive que comprar mais cardigans. Aqui no Sul faz frio e não tinha peças em cores neutras que me ajudassem a montar looks mais coerentes com o meu estilo. O meu Superga cinza estava super surrado então coloquei na minha listinha. Você tem que pensar quais peças vão fazer a diferença no seu guarda-roupa. Mas sempre tenha em mente que a ideia do armário-cápsula é comprar menos, só o essencial pra ser feliz.

 

 

 

 

 

 

Este foi o meu primeiro armário-cápsula | Inverno 2015 (Junho a Setembro)

Em itálico estão as peças que precisei comprar:

Calças

Saias

Casacos

Suéters

Camisas

Camisetas

Sapatos

1 jeans destroyed

1 preta assimétrica

1 lã pied de poule

1 grafite

1 preta

1 branca

1 Superga Branco

1 jeans branco

1 evasê preta e branca

1 preto longo

1 cardigan branco

1 jeans

1 preta

1 Converse/slip on de oncinha

1 jeans azul claro

1 lápis preta e rosa claro

1 lã rosa claro

1 cardigan preto

1 cinza mescla

1 tênis nude com metal

1 couro preta

1 verde militar

1 cinza mescla moletom

1 branca grafismo

1 sapatilha cinza

1 jeans preta

1 rosa

1 sapatilha preta

1 listrada

1 scarpin preto

1 bota preta salto médio embutido

1 bota preta OTK flat

1 bota nude com franjas

1 scarpin nude


Conforme a minha listinha, precisei comprar:

  • cardigan branco
  • cardigan preto
  • camiseta listrada
  • Superga branco

Total: 34 peças.

Lembre de comprar peças que tenham uma boa qualidade, já que terá que conviver com elas (e lavar uma quantidade de vezes considerável) por pelo menos 3 meses. Prefira tecidos naturais, confira isso na etiqueta. Camisetas de algodão, por exemplo, duram muito mais com bom aspecto.

Depois que você tiver todas as peças reunidas, comece a se divertir com elas. Pense em formas de usar, combinações diferentes para diferentes ocasiões: trabalho, cinema, jantar, uma festa mais informal, etc. Fotografe os combos que você mais ama para aqueles dias sem inspiração. Que tal usar sua própria referência para um look futuro?

No próximo post eu te conto como foi a minha experiência nesse primeiro armário-cápsula – minhas impressões, se enjoei, se consegui ficar sem comprar e muito mais!

Que tal aproveitar o final de semana e começar a planejar o seu AC de primavera?

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Fonte: Minimallista e Feliz com a Vida.

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