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Truman com Ricardo Darin, completo e legendado HD

By Raymond

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Após ‘Relatos selvagens’, Ricardo Darín encarna doente terminal em busca de um lar para seu cão

Filme ‘Truman’ estreiou no Festival do Rio, em outubro

Assim como os clichês só são reconhecidos como tais porque uma vez ou outra funcionam à perfeição – o segredo é não usá-los com exagero – da mesma forma ninguém se torna astro por acaso. Como Ricardo Darín, o maior nome do atual cinema argentino – e, por que não, de toda a produção cinematográfica ibero-americana. Afinal, ele até pode se aventurar em um ou outro projeto fora de sua terra natal, mas ao menos até hoje tem recusado categoricamente ofertas para atuar em outra língua – e isso significa não se arriscar em Hollywood e nem mesmo em parcerias no Brasil. Darín segue sendo legítimo, fiel ao que sabe fazer melhor – interpretar o homem comum em situações incomuns – e com um carisma tão gigantesco que consegue salvar até veículos feitos quase que exclusivamente para o seu estrelato. De qualquer forma, é muito bom perceber que este não é o caso de Truman.

Truman com Ricardo Darin (5)

Afinal, basta uma leitura rápida da sinopse para que as expectativas a respeito deste segundo trabalho do ator com o diretor Cesc Gay – após o episódico O Que Os Homens Falam (2012) – sejam as mais baixas possíveis. Pra começar, Truman é o nome do cachorro do protagonista, e filmes sobre homens e seus cães de estimação ou são comédias bobas ou lacrimosos até o extremo – Tom Hanks, Owen Wilson e Richard Gere são apenas alguns que podem servir de exemplo. Indo um pouco mais adiante, descobrimos que o protagonista sofre de um câncer incurável e está decidido a morrer sem ir até às últimas com a quimioterapia, com isso encurtando sua sobrevivência, mas ganhando qualidade neste pouco tempo que resta. Com isso em mente, seu dilema se resume a decidir com quem deixar seu companheiro. Até que o melhor amigo surge de forma inesperada.

 

Apesar dos elementos comuns ao melodrama, Truman se salva da obviedade graças a alguns pontos importantes. Primeiro, temos o talento superlativo de Darín, que entrega uma performance afetuosa e dolorida, porém impelida de tamanha altivez e maturidade que torna impossível não se comover com seu destino. Depois, temos em cena também o ótimo Javier Cámara, um dos atores favoritos de Pedro Almodóvar (já esteve em três de seus filmes) – e isso, é preciso reconhecer, quer dizer muito. Por fim, há a sensibilidade do diretor em conduzir uma história que se expressa melhor pelos detalhes, por cada situação que desenha durante seu desenvolvimento e pelos sentimentos que ligam o personagens do que pelo todo em si. Cada parte encontrará um valor maior na memória afetiva do espectador do que o conjunto poderia resumir, e nem toda obra pode se orgulhar de um resultado como esse. Um diferencial, portanto, de peso inegável.

Truman com Ricardo Darin (4)

Javier é Tomás, aquele que deixou Madri para investir na profissão e acabou casando e constituindo família no gélido Canadá. Ele retorna para apenas uma semana com o objetivo de estar ao lado daquele que chegou a ser muito importante para ele em certo momento de sua vida, mas que hoje está há anos sem ver. O reencontro é desengonçado, há alguns tropeços no início, mas logo estão entendidos: não adianta querer demovê-lo de sua decisão, Julián (Darín) cansou de qualquer tipo de tratamento e prefere morrer em paz a insistir em busca de uma cura impossível. Ao amigo, tudo que resta é aceitar e lhe oferecer companhia. Nem que seja por poucos dias.

Truman com Ricardo Darin (6)

A situação do cachorro, que à princípio parecia ser a força motora da história, logo é meio que deixada de lado – há visitas a possíveis novos donos, mas nada crível o suficiente para representar uma ameaça ao desfecho da trama, conclusão essa que sabemos desde o princípio, mas diante da qual será impossível conter as lágrimas. Neste caminho, nos deparamos com aqueles que não sabem como lidar com a situação, com o perdão inesperado, com o descaso profissional, com a relevância de uma situação maior do que desavenças do passado, com o último abraço da família. Cada nova situação proposta pelo roteiro é mais importante pelo significado que carrega do que pela sequência de ações que encerra. E assim tem-se dois excelentes atores no auge de sua forma, dispostos a fazer do pouco que dispõem muito em nome da arte que defendem, com calor e simplicidade. Truman poderia ser somente sobre um cachorro e seu dono prestes a morrer, mas é muito mais. Felizmente.

A VIDA É MUITO PARECIDO COM O FILME VERSA E VICE”
RICARDO DARIN

A vida é muito parecido com o filme versa e vice”, Darin expõe, “uma questão como esta, assim tratado sem exagerar situações, move fibras internas dolorosas e nosso trabalho é lidar com isso, com uma tragédia que aconteceu provavelmente com seres nós amamos “.

Ricardo Darin, animado com o lançamento de "Truman" no Festival de San Sebastian

Ricardo Darin, animado com o lançamento de “Truman” no Festival de San Sebastian

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Fonte: Papo de Cinema e PirateFlix.

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